Resenha bate-papo com Marcelo Fronza sobre “História em Quadrinhos e aprendizagem histórica”

Por João Pedro Ferreira de Carvalho*

O professor Marcelo Fronza começa a sua fala expondo a ideia da educação histórica na aprendizagem do sujeito. Assim, faz um diálogo direto com a teoria da consciência histórica. Segundo a sua fala, a educação histórica não está relacionada necessariamente com as metodologias do ensino de história, mas com a forma que os sujeitos aprendem. A educação histórica pode ser colocada como algo que tanto na história apresentada na academia como no pensamento histórico apresentado na escola são equivalentes, mas com graus diferentes de complexidade. O processo epistemológico é o mesmo em ambos os casos, todo sujeito pensa historicamente, mas em cada lugar há um grau de complexidade diferente. Com isso, o professor faz um diálogo entre a didática histórica e a educação histórica (de onde partem e seus objetivos).

Bate papo com Marcelo Fronza – transmitido no dia 12/05/2020 pelo canal do Youtube LAPEHIS UFVJM.

Após isso, o professor Fronza fala sobre as formas de se trabalhar as histórias em quadrinhos em sala de aula (como fonte, narrativa e linguagem). Segundo ele, a história em quadrinhos pode ser uma fonte, mas também uma “fonte-narrativa”. A linguagem vai surgir ao se utilizar as histórias em quadrinhos como recurso didático, pois elas podem gerar uma aprendizagem diferente de outros recursos, como os filmes. Essas histórias podem gerar formas diferentes das pessoas captarem o conteúdo, dependendo da sua relação com o material. As histórias em quadrinhos podem ser fontes enquanto uma narrativa criada em um tempo sobre determinado aspecto e temporalidade. 

Frame da transmissão. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Qg61SmLUY6M

Fronza apresenta a sua investigação sobre trabalhos acerca de como as histórias em quadrinhos apareceram na sala de aula e as formas como elas foram trabalhadas. O professor apresenta algumas formas, sendo que elas podem se complementar. A primeira diz respeito aos quadrinhos de histórias ficcionais “de mercado” que trabalham temas históricos. Assim, trabalhando como fonte histórica levando em consideração o contexto em que foram construídos. Um segundo ponto é quando essas histórias aparecem nos livros didáticos. Nesse caso, há uma investigação de como essas histórias aparecem nos livros. O professor responde uma pergunta sobre se é possível usar histórias em quadrinhos como metodologia para compreender o conteúdo histórico e chega a conclusão que é perfeitamente viável, dependendo da forma que for trabalhado. Outra pergunta bem interessante respondida pelo professor é se os alunos poderiam produzir histórias em quadrinhos sobre sua localidade. O professor diz que sim e é benéfico para compreendermos como se desenvolve a compreensão histórica de cada um.  A partir da estética e a forma que os quadrinhos são construídos, é possível levantar debates sobre as imagens que temos consolidadas nas nossas mentes (o professor usa o exemplo do quadro da independência criado por Pedro Américo). O professor também fala do “risco” dos alunos interpretarem os quadrinhos de forma literal. Nesse ponto, segundo ele, há uma grande diferença entre o que é apresentado e como os alunos irão aprender. Por isso, deve-se ter um trabalho de apresentar outras perspectivas para além das que o jovem já tem, advindas da sua cultura.  

Por conseguinte, o bate-papo com o professor Marcelo Fronza traz uma excelente discussão sobre como outros recursos didáticos “não tradicionais” podem contribuir positivamente para a aprendizagem histórica. Os quadrinhos podem ser utilizados na educação histórica não apenas como um processo metodológico, mas também como uma ferramenta para a compreensão de fontes, discussões e temporalidades. Esse recurso permite várias possibilidades para o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Criar os próprios quadrinhos podem ajudar os alunos a trabalharem em conjunto, criar narrativas diversas, compreender o local no qual vivem, entre outras coisas que ajudam em sua formação como seres humanos. 

Referência: 

#5 Bate papo com Marcelo Fronza – Historias em quadrinhos e aprendizagem histórica. Apresentado por Marcelo Fronza, 2020. 1 vídeo (1 hora 11 min. 35 seg.). Publicado pelo canal: UFVJM LAPEHIS. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Qg61SmLUY6M Acesso em: 18 ago. 2021.

FRONZA, M. O significado das histórias em quadrinhos na Educação Histórica dos jovens que estudam no Ensino Médio. Dissertação (Mestrado em Educação) 170 p. – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007. 

*João Pedro Ferreira de Carvalho é licenciando no curso de Licenciatura em História da UFVJM e produziu o texto para a disciplina Laboratório de Ensino de História: Metodologias e Tecnologias do ensino de história ministrada pela profª Drª Vitória Azevedo da Fonseca no segundo semestre de 2020.

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